quinta-feira, 28 de junho de 2012

Metamorfose da lágrima !



Mais um trago de algum whisk barato, menos uma lágrima acumulada no meu olho. Acendo um cigarro cada vez mais preguiçosamente, só tenho fôlego pra pensar na melancolia da música que me faz lembrar você. Minha boca, hora e outra, sente um sabor gostoso, salgado, estou me afogando numa piscina de lágrimas. Recapitular o momento exato que a minha felicidade segue o atalho do pesar me assombra, me faz virar o meu próprio adversário, me faz cravar uma guerra espiritual que não aparecerá em nenhum livro de história mas que irá exibir rugas prematuras em um rosto tão triste. O amor passou no drive-thur mas a alegria estava em falta, me sobrou o sexo e a fornicação com gorduras cancerígenas e suco de depressão embaladas pra viagem. Mas tenho essa sede de gente grande, sugo feito esponja o que me faz mal e jogo no ar gargalhadas perturbadas e genuínas, feito árvore que absorve o gás mortal da atmosfera, porém libera o fluído da vida. Um gole a mais e tenho a certeza que essa nostalgia é benigna, é um trago depois do almoço de tão legal. Eu não tomaria a dose diária desse veneno se ele não me fizesse viver mais e mais. Nem todo soluço é de choro, nem toda lágrima é de tristeza. Eu um dia vou morrer de tanto viver, mas por enquanto vou tomando mais um trago, agora de uma pinga velha do pai de um amigo, e chorando de tanto sorrir.

domingo, 24 de junho de 2012

Rô, i can't forget this.



Me lembro como se fosse ontem, você estava usando aquela camisa clara que realça seus olhos esverdeados e deixava sua bochecha tão vermelhinha. Havaiana e meia. Estava fumando, bebendo e contando alguma coisa sobre o orgasmo do porco durar trinta minutos. Você nos fazia gargalhar fazendo aquelas caretas que te deixavam tão feio, tão menino, tão bobo, tão engraçado. Seu cabelo arrumado na bagunça, seu nariz grande e seus dentes separados só te deixavam ainda mais menino, mais bobo, mais engraçado e, por incrível que pareça, mais interessante. No meio de uma besteira ou outra que saia da sua boca, perguntei da forma menos óbvia possível sobre seu estado civil, afinal você vivia usando aquele bambolê no dedo anelar direito, na qual eu descobri depois que apenas fazia parte do seu infeliz e ridículo hábito de usar aliança sem estar em um relacionamento.

- Rô, sua namorada deve passar o dia inteiro rindo, né?

Mas você realmente sabe ouvir e entender um desejo, uma vontade. Não sei se leu meu olhar ou se usou comigo um daqueles seus truques de linguagem corporal que aprendeu nos livros sobre tal, sei apenas que você interpretou meu tom de voz e respondeu o que eu mantinha em segredo com a minha respiração e calor nas mãos. E depois de uma gaitada, depois de bater com a palma da mão no joelho enquanto olhava pra cima, só quando finalmente você parou de sorrir e umedeceu os lábios fazendo ao mesmo tempo um balançar de cabeça que sugeria um não, pode me responder com simpatia e muita cafajestagem:

- Esse é o seu jeito sutil de perguntar se eu estou solteiro e sexualmente disponível?

Fez outra piada lapidando o gelo derretido entre a gente. E eu já sabia que você contaria isso em alguma roda de amigos, quem sabe até na minha frente só para poder ver o sangue se aglomerando nas minhas covas faciais corando assim meu rosto pálido e sem maquiagem, caguetando que isso não é apenas uma história, mas um fato.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Frio. i fucking love it :)



Pele arrupiada, mandíbula se movendo involuntariamente fazendo os dentes se baterem, chocolate-quente, filme, cobertor de orelha; tudo isso indica que a estação glacial chegou. É nessa época que percebo que fiz malabarismo com corações quentinhos, é nessa época que as minhas células-rodriguianas querem se alimentar com um relacionamento. A temperatura ambiente desce e essa vontade louca de namorar sobe. Vontade que cresce feito barba, feito uma gestação, a cada dia evolui gradualmente. Desejo de morar na aldeia de algum sorriso verdadeiro, algum coração de apenas um cômodo, algum hálito quente. Vejo casais abraçados, observo-os feito pipa no céu, que inveja boa. Quantas vezes enxuguei lágrimas que desciam sincronizadas ladeira a baixo só de manifestar um pouco desse sentimento, dessa vontade. Quantas vezes essa água salgada saindo de algum olhar feminino não me fez sentir nada! Nem pena, nem dó, completamento nada! Muitas vezes senti um luto do cachorro que morre no final do filme, mas minha sociopatia amorosa nunca se corrompeu, nem se quer um pouco, então apenas tentava fingir sentir o que as pessoas normalmente sentem. Disso me lembro que já fui em três enterros e nenhuma lágrima me caiu ao rosto, mas é melhor ser você mesmo do que andar com um choro que não é seu por aí. Me sinto doente, vejo crescer com pressa um ataque epilético de desleixo sobre esse sentimento tão bom, sinto tudo isso escorrendo entre meus dedos feito líquido quando, ao meu próprio modo, eu me permito ser eu mesmo. E de novo sinto aquela euforia de liberdade, e de novo sinto aquele frio que faz eu olhar pro nada e pensar sobre tudo. É como escrever ódio com a mais bela caligrafia. Então quando minha pele eriçar novamente e os dentes se baterem inconscientemente, vou deixar de sentir pena de mim mesmo e vou me permitir amar. Quando o clima esfriar e meu coração ferver vou deixar fluir, pois de tanto contar as dores que o espinho me causou, fiquei privado de admirar seu lindo perfume.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Alguma coisa sobre detalhes .



Eu olhei pra você como se minha pequena sorte dependesse disso, como se por um acaso eu perdesse algum detalhe, eu sofreria algum tipo de revés do destino, portanto não deixei passar nenhuma particularidade sua, por pouco medo e por muita vontade. Vi sua unha mal feita e sua pele firme. Seu cabelo atrás da orelha e seus pés descalços. Senti sua áurea de paz e seu abraço meio desajeitado, assim como o meu. Eu com meu jeito bobo observando seu espanto e sua hospitalidade, mesmo que exagerados. Engraçado como você corta o meu raciocínio feito linha de cerol, de repente eu sou o puto mais burro do mundo, mas é que é difícil você se concentrar quando se passa o que já foi o seu filme predileto ali mesmo na sua frente. Você com um vestido de flores e um belo par de seios. Sem maquiagem e com a maça do rosto de dar inveja a qualquer macieira, com um cheiro bom de dar cala frios em qualquer folha de laranjeira. Um sorriso metálico e mesmo assim ainda percebi o brilho do esmalte de seu dente. Confesso, admiro o seu sorriso e gosto muito mais quando tenho uma pequena participação para que ele aconteça, ouço a palavra paz no som do seu riso. Sua língua com um tom vermelho-limpo, seus olhos se moviam rápido, seus pés apontavam o tempo todo para mim. Você faz quebrar todos os paradigmas de revistas que ensinam a como se viver bem, eu gosto disso. E assim os minutos passaram feito milésimos de segundos. Com certeza você reparou na minha preguiça de ir embora, você ouvia minha empolgação no olhar dizendo: quero ficar! Com as costas da mão limpei meu suor frio da testa, com a outra mão chequei meus batimentos cardíacos e fui embora. Fiz uma prece rápida, agradeci a qualquer Deus e roguei algum talismã que lhe traga sempre paz. Costurei rápido um amuleto de alegria e te entreguei sem você perceber. Pichei o muro da sua casa com palavras de boa sorte. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Alguma coisa sobre o descanso dos mortais.



O descanso perpétuo, o sono profundo. E então o universo lhe arranca a vida, assim como uma esponja seca absorve a água. Rápido lhe puxam pelos pés e não dá nem tempo de dizer até logo. Lentamente os que ficam se acostumam a viver sem sua áurea. É tanta água salgada em olhos, mas garanto que a cólera não coroa bons momentos, o choro homenageia apenas a indignação e a dor não honra quem partiu! Afirmo também que a ausência da vida é apenas um túnel escuro, apenas um longo caminho até a luz. Passaporte só de ida pra algum lugar desconhecido pelo homem, algum imenso jardim com música, alguma casa sem frestas onde se possa dormir e sonhar, sem jamais acordar novamente. Morrer é fazer as pazes com o espírito, entender a vida deixando de lado toda vaidade do corpo. Morrer é apreciar a vida de um ângulo de fora, apanhar os detalhes importantes que lhe fugiram por sua falta de tempo e com sua preocupação exagerada com o que não vale tanto a pena assim. Se despedir da vida é ser bem vindo ao show, só que agora nesse novo espetáculo, você faz parte da platéia. Quem fica sente falta, saudade e qualquer outro sinônimo doloroso. Quem era seu anfitrião sente falta até das bagunças, toalha molhada em cima da cama, sapato jogado nos cantos da casa. A família se despedaça aos poucos nas lembranças por mínimas que sejam, é como comer um fruto e lembrar da doce árvore. Agora sua presença no seu antigo lar é uma fotografia bem cuidada cercada de flores. Seu abraço são roupas ainda sujas com o aroma do perfume importado chamado "i miss you". Quem fica percebe que é um nada, um anônimo que é um entre bilhões de pessoas que vivem em um planeta cercado de estrelas, que por acaso uma delas é o sol e que se localiza em uma galáxia e um dos universos possíveis. Tão vulnerável e tão insignificante. Quem vive não entende a morte, quem morre começa a entender a vida. Mas a vida é assim mesmo, é um cigarro que a cada tragada se caminha para a fim, por isso dê boas tragadas antes que lhe queimem os dedos e tente fazer os mais belos desenhos de fumaça.