Minha cor, minha flor, minha cara.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
50 tons de Jack
Seu nome é Jaqueline.
Jack abriu o portão para mim praticamente nua, apenas poucos panos de seda cobriam nossa transa. Me agarrou pela mão e me jogou na bagunça de seu quarto com pouca luz. E depois de tirar minha roupa, ela deslizou a dela por todo seu corpo negro e firme. Era uma bela mulher: olhos grandes, dentes brancos feito flash de fotografia e um enorme par de peitos. Algo brilhou, foi o seu piercing de mamilo. Beijei o seio de Jack como se minha vida dependesse disso. Eu me sentei na cama de muitos lençois e ela se ajoelhou na minha frente, umedecendo os próprios lábios. Incrível atitude. Raridade! Foi um boquete generoso, sem dentes e com muitos olhares. As vezes Jack engasgava - gulosa -, enguiava ao ponto de lacrimejar. Aquela espuma de saliva deslizando só deixava a cena mais bonita, feito verniz na madeira. Por fim ela disse: "Me foda." "Claro." - respondi. Ela gemia alto, me pedia para bater, mas não tão forte. Minha mão queimava, e os volumes quentes de marcas de dedos na bunda de Jack já eram bem visíveis - mesmo em uma pele negra. Jack sempre disposta, sempre dizendo sim para as oportunidades. Acho que ela se sente viva assim e, de um jeito bem louco, isso faz todo o sentido. Qualquer psicólogo que estudou Freud diria que isso não passa de um mau relacionamento com o pai, e que Jack acabou direcionando esse vazio que sente para um objetivo sexual insaciável. Bom, foda-se! Eu entendo Jack na cama, sofá ou cozinha. Depois de Jack quase vomitar em mim, e depois de eu pintar o peito dela de esbranquiçado-quente, a gente correu para o banho, onde o riso deslizava pela porta aberta e passeava, se espalhando pelo eco criado pelos poucos móveis da cozinha de sua casa. De volta à cama, uma conversa agradável: Jack sempre pergunta como vão as coisas, entre minha ex-namorada e eu, de uma maneira fácil de responder. Me conta que começou estudar enfermagem, enquanto confere suas últimas campainhas do seu celular de muitos aplicativos. Jack sempre dá um jeito de me lembrar que tenho o mesmo nome de seu primeiro namorado, e eu gosto disso. Acho que Jack é como eu: no final do dia, ela percebe não estar tão disponível assim. Talvez isso seja uma transa por esporte, um sexo agradável por dois animais que marcam hora e lugar. Gosto de Jack. No meio de tantas pessoas sonolentas e preguiçosas, eu transo com Jack, que nunca boceja, faz sexo até eu começar a falar árabe e faz um boquete que até parece que um anjo está lambendo o meu próprio cu!
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Querida Karen, XIV
Sábado, 12 de julho de 2014.
Querida Karen,
Final.
Outro seriado acaba. Letras miúdas deslizam, de baixo para cima, na tela da TV. Ao fundo, Elton John tenta, sem esforço algum, enfiar aquela confusa história de amor dentro de algumas notas musicais - e consegue. O talvez de um final feliz. Subtendido. Quase. Esperança. A incerteza da felicidade no fim das contas não conseguiu desviar a atenção de um bom leitor para um página triste. De novo esperança. Então, graça.
Minutos antes.
Ele - cabelos castanho-escuro, camisa preta, a barba por fazer e o coração em uma das mãos -, entra no avião e decola junto com ela. Porém, ele já estava aos céus assim que viu aquela postura certa e aquele sorriso que faz seus olhos fecharem completamente, como num pedido, uma prece. Ela - cabelos cor-de-trigo, segurando um livro, algum olhar de adolescente e um cheirinho bom -, continua a ler como quem desdenha, fazendo um enorme esforço para não levar aquele momento mágico para junto de sua cabeceira à noite e ter sonhos que nunca se realizarão.
Ele reparou em como a sua mão buscou a dela e fez um nó. Ele não olhou para ela. Ela sim, o olhou e viu aquele perfil de homem, e viu ele engolir seco uma saliva que, na verdade, devia estar passeando em sua boca ressecada pelo silêncio daquele voo.
Ela o beijou. Um beijo sem pressa, sem adornos e sem freios. Bem devagarzinho. Molhado. Quente. Ele retribuiu jogando um pouco daquele cabelo loiro para trás de sua orelha e, na volta, apertou, com o indicador e o polegar, sua bochecha rosada. Os dois passeavam pelos céus de suas bocas e o avião ainda não tinha decolado. A cortina fechada calava o grito do sol ao morrer. Tapou o pôr-do-sol mais lindo daquele ano e o mais engraçado foi que nenhum dos dois pareceu se importar com isso.
O começo.
Ele disse alguma coisa. Ela também. E os dois sentiram a mesma vontade de passarem o resto de suas vidas no meio daquela conversa. A tempestade perfeita, ele costuma dizer.
Unfaithfully yours,
Hank.
domingo, 29 de junho de 2014
NBA
Sempre pensei ser um bom jogador de basquete, porém não sou. Percebo isso na quarta tentativa que faço de arremessar um papel, em forma de bola, no lixo perto da escrivaninha. A barba por fazer; o gelo derretido no whisky, tirando o sabor da bebida agora quente; as juntas dos dedos maciças de tanto serem estaladas; os olhos injetados, cansados; o coração vazio e sem propósito, amassado como todas as folhas descartadas ali no chão. Outra folha amarrotada no chão, na tentativa falha de acertar - a escrita e o lixo. Sem noite de autógrafos e nem NBA. Que fracassado! Um cara de 35 anos sem emprego, fumante e alcoólatra. Sem pais para pedir a benção e nenhuma namorada para propor um casamento. Patético! Depois de martelar mais algumas teclas da máquina de escrever, outra folha é lançada sem marcar pontos, e agora ela decora a sujeira no canto do meu quarto. Errei de novo, porra! Tentativa e erro. Bem poético, mas não é um bom delineador para quem tem maus olhos. Pela sexta vez eu tentei colocar meu coração em um papel em branco em forma de tinta, não consegui e, pior ainda: não fiz nenhuma sexta! Sou um péssimo jogador de basquete.
domingo, 15 de junho de 2014
Querida Karen, XIII
Sexta-Feira, 13 de junho de 2014.
Querida Karen,
Casais ainda andavam por aí, tentando suavizar o frio com a febre de seus abraços. De vez em quando seus olhares se cruzavam e dali nascia um riso, era a forma em som de algum segredo do dia anterior - o dia dos namorados. Uma loucura, uma surpresa, um porre; eu sempre tentava adivinhar, feliz em saber que jamais conheceria o sabor daquela resposta. Era madrugada e os mais solitários juntavam as mãos em forma de concha, depois sopravam um hálito quente na fresta de seus próprios dedos nus, acompanhados do vapor no ar que nascia de suas bocas, uma névoa quente produzida pelo desamparo de um coração andarilho, triste e calejado, ou apenas fosse mais um puto que só esqueceu de comprar cigarros mais cedo. Um casal olhava atento uma vitrine no meio da praça: ele espiou cheio de desejo para o belo casaco - um consumista. Ela arrumou seus belos cachos, conferiu o batom e depois brincou com seu próprio reflexo - uma vaidosa. Os dois olhavam na mesma direção mas com intenções diferentes, pensei. Corações, bandeirinhas e fitas, em amarelo e verde, decoravam a cidade inteira, e nós, Karen, vimos o vento brincar com todas elas.
Você com seu perfume de maça e terra molhada. Um cheiro lindo que competia com o aroma do seu shampoo e com todas as flores do seu vestido amarelo. O bálsamo emanava da sua pele branca com a mesma invisibilidade da evaporação das águas do oceano e rios, com o mesmo encanto, com a mesma hipnose e com a mesma paz, e formando a mesma chuva potável que me dá a graça de continuar vivendo. Karen, você usava um único brinco de penas, e aquele colar que as vezes mergulha no seu decote discreto, brincando com a pinta do seu seio esquerdo. E toda vez que você sorria, Karen, você comportava seu cabelo dourado para trás de sua orelha sem brinco com seu dedo indicador e nesse momento eu tinha a certeza que a cada passo que eu dava em sua direção, eu tinha 360 graus de oportunidades.
Na porta do seu apartamento, você parou na soleira da porta, girou nos calcanhares, e disse:
- Boa noite, Hank. - fazendo o máximo de esforço para não parecer um convite.
E eu lembrei do seu riso se propagando com a ajuda do eco fortalecido pelos poucos móveis da sua sala. Lembrei do seu sutiã jogado no chão toda vez que a gente tinha aquela pressa em fazer amor. Lembrei que você me espiava, sorrindo, toda vez que me flagrava cantando Jack Johnson no seu chuveiro. Lembrei de você gemendo baixinho no meu ouvido, patenteando uma nova nota musical que ainda não existe.
- Eu consigo sentir seu esforço de sempre tentar estabelecer uma atuação que confronte um clima romântico entre nós, Karen.
- Você sempre foi mais talentoso do que dedicado em me fazer cair na sua cama e ter o meu amor, Hank, mas você sempre prosperou o caos.
- E esse não é justamente um dos motivos que fazem um ex-casal sair por ai pra jogar conversa fora?
- Sim, mas também é o que faz você ser impossível de se conviver. Você nunca vai ficar só.
- Isso não quer dizer que não seja solitário.
- Hoje você é livre, Hank, aproveite isso.
- Liberdade é só mais outra palavra pra sentir saudades suas.
Você sorriu, gostando de cada acento dessa frase.
- Hank, eu ainda te amo, mas jamais vamos dar certo.
E foi nesse exato momento que você tirou o seu amor como se fosse um casaco, e depois pendurou num varal sem amarras.
- Não vamos fazer disso uma lição de vida, oras.
- E qual foi, então, o sentido de hoje a noite?
- Não foi para ferir, foi pra cicatrizar.
Você me olhou por alguns instantes.
E eu lembrei do seu riso se propagando com a ajuda do eco fortalecido pelos poucos móveis da sua sala. Lembrei do seu sutiã jogado no chão toda vez que a gente tinha aquela pressa em fazer amor. Lembrei que você me espiava, sorrindo, toda vez que me flagrava cantando Jack Johnson no seu chuveiro. Lembrei de você gemendo baixinho no meu ouvido, patenteando uma nova nota musical que ainda não existe.
- Eu consigo sentir seu esforço de sempre tentar estabelecer uma atuação que confronte um clima romântico entre nós, Karen.
- Você sempre foi mais talentoso do que dedicado em me fazer cair na sua cama e ter o meu amor, Hank, mas você sempre prosperou o caos.
- E esse não é justamente um dos motivos que fazem um ex-casal sair por ai pra jogar conversa fora?
- Sim, mas também é o que faz você ser impossível de se conviver. Você nunca vai ficar só.
- Isso não quer dizer que não seja solitário.
- Hoje você é livre, Hank, aproveite isso.
- Liberdade é só mais outra palavra pra sentir saudades suas.
Você sorriu, gostando de cada acento dessa frase.
- Hank, eu ainda te amo, mas jamais vamos dar certo.
E foi nesse exato momento que você tirou o seu amor como se fosse um casaco, e depois pendurou num varal sem amarras.
- Não vamos fazer disso uma lição de vida, oras.
- E qual foi, então, o sentido de hoje a noite?
- Não foi para ferir, foi pra cicatrizar.
Você me olhou por alguns instantes.
- Boa noite, Hank.
- Boa noite, Karen.
Unfaithfully yours,
Hank.
Hank.
Colei muita coisa hoje. Hoje o cérebro não participou com a criatividade. Hoje só o coração falou!
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